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A alimentação saudável previne doenças e contribui para a qualidade de vida. Para manter uma dieta balanceada, é muito importante considerar o valor nutricional e a qualidade dos alimentos, assim como outros fatores essenciais, como os aspectos sociais, econômicos e culturais que envolvem a alimentação.

Um exemplo de prato colorido, com muito sabor e saudável.

Um exemplo de prato colorido, com muito sabor e saudável.

O aumento dos preços de itens tradicionais da cesta básica do brasileiro, como o tomate, a banana, o açúcar, o óleo de soja e o arroz, tem um forte impacto sobre a economia familiar. Considerando a Pesquisa de Orçamento Familiar mais recente (2008-2009), a cesta básica para uma família de 4 pessoas na Bahia custa, em média, R$ 379,72, o que representa 43,15% do salário mínimo atual (R$ 880,00), um valor extremamente alto quando se trata de famílias de baixa renda, pois existem outras despesas indispensáveis que precisam ser supridas, como habitação, transporte, vestuário, etc. Deste modo, é necessário tomar algumas medidas para evitar o comprometimento nutricional dos indivíduos num momento de alta de preços.

Quanto ao aumento dos preços do açúcar e do óleo de soja, esta adversidade pode ser um bom estímulo para a redução do consumo destes itens. Consumir mais frutas in natura ao invés de sucos e refrigerantes e substituir preparações fritas por cozidas ou grelhadas, além de ajudar o bolso, ainda tornam a alimentação muito mais saudável, reduzindo o risco de diversas doenças crônicas não-transmissíveis, como a obesidade e o sobrepeso, o diabetes e alguns tipos de câncer, já que dietas ricas em açúcar, gorduras e massas refinadas (não-integrais) e pobres em frutas e hortaliças podem favorecer o surgimento dessas enfermidades.

Se tratando, principalmente, das frutas e hortaliças, o aumento dos preços pode impactar a qualidade da dieta das famílias de baixa renda por desencadear a redução do consumo dos alimentos mais comuns desses gêneros, como a banana e o tomate. Entretanto, ao contrário do que algumas pessoas imaginam, alimentação balanceada não é sinônimo de alimentação cara. Existem alternativas para garantir a segurança alimentar e nutricional das famílias neste momento de elevação dos preços, como por exemplo:

– Consumir alimentos da época e da região: As frutas e legumes da estação e de produção local tendem a ser mais baratas, pois a sua maior disponibilidade faz com que o seu preço seja menor, além do fato de ser necessária uma quantidade menor de defensivos e fertilizantes para a sua produção e de não haver grandes gastos com o seu transporte, de modo que têm qualidade superior e são mais saudáveis. Adquirir esses produtos em feiras-livres ao invés de em supermercados também é uma boa estratégia, pois os alimentos comercializados nas feiras geralmente são mais frescos e mais baratos. A substituição de alguns alimentos por outros, além de permitir o aumento da variedade na alimentação, evita a exclusão de grupos alimentares da dieta, garante o consumo adequado de nutrientes essenciais (principalmente vitaminas e minerais) e ainda ajuda na economia doméstica e regional.  Alguns exemplos de alimentos que têm safra no mês de março são: abóbora, abobrinha, beterraba, chuchu, jiló, pepino, acelga, rúcula, repolho, tangerina e maçã.

– Aproveitamento integral dos alimentos: No nosso dia-a-dia, descartamos diversas partes dos alimentos que podem (e devem) ser consumidas. Um exemplo disso são as cascas e os talos de legumes e frutas. Essas partes são ricas em fibras (que ajudam no funcionamento do intestino), minerais (principalmente o cálcio, que contribui para a saúde do coração e dos ossos, auxilia na redução da pressão arterial e na perda de peso) e vitaminas (como os carotenoides, que dão origem à vitamina A no nosso organismo, contribuindo para a saúde da pele e dos olhos). Além de reduzir a quantidade de lixo produzido, o que ajuda na preservação do meio ambiente, o consumo de talos e cascas enriquece, e muito, a dieta. As cascas de frutas podem ser trituradas e adicionadas a bolos ou serem utilizadas para a produção de sucos e chás. Já as cascas e talos de hortaliças podem ser trituradas e incorporadas em sopas, no feijão ou podem ser consumidas diretamente (por exemplo, consumir abóbora, abobrinha e batata doce com casca).

Benefícios da abóbora na alimentação.

Benefícios da abóbora na alimentação.

Um bom exemplo de preparação barata, nutritiva e que utiliza integralmente os alimentos é a Salada de Casca Abóbora.

Salada de Casca de Abóbora

Ingredientes:

Casca de abóbora

Cebola

Coentro ou Salsa com talos

Pimenta do reino ou Cominho

Sal

Vinagre e Azeite (opcionais)

 

Modo de Preparo:

Após higienizar as cascas da abóbora adequadamente, ralar e cozinhar em água fervente até ficar com textura al dente.

Escorrer e levar à geladeira para resfriar.

Adicionar cebola picada, contro ou salsa com talos, pimenta do reino e sal a gosto.

Se preferir, acrescente um fio de azeite e vinagre.

 

Esta receita é rica em carotenoides e fibras e é um ótimo acompanhamento para os pratos triviais, como o arroz com feijão e carne ou frango cozido, e a polpa da abóbora pode ser utilizada na preparação de ensopados, purês ou refogados. Outras hortaliças podem ser adicionadas a esta preparação, para torná-la ainda mais nutritiva.

Deste modo, é possível comer bem sem gastar muito. Basta estar aberto ao consumo de alimentos variados e nutritivos e ter um pouco de criatividade!

 

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Jéssica Souza Ribeiro

Nutricionista do Instituto Federal da Bahia – IFBA/Jequié e Professora do curso de Nutrição da Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC/Jequié, formada pelo Instituto Multidisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia, Mestranda em Engenharia e Ciência de Alimentos, MBA Executivo em Gestão de Negócios em Alimentação e Especialista em Gestão da Segurança de Alimentos.

 

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