Mamífero, mas sem leite

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Mamífero, mas sem leite

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*por Leandro Novaes

Sempre gostei muito de me arriscar em meus conhecimentos culinários. Quem também tem esse perfil sabe bem a sensação de quando nossos pratos são aprovados por nossa família e nossos amigos. É uma satisfação inenarrável! Mas possuo outra particularidade: além de fazer, eu também gosto de comer o que preparo. Aí, um sinal de alerta: a balança grita!

Melhor evitar leite e seus derivados.

Melhor evitar leite e seus derivados.

Daí vem o fato que me intriga: dentre os pratos que tenho prazer em preparar, os preferidos são lasanhas, macarronadas, tudo o que vai molhos brancos, queijos, etc. E então, entre um preparo e outro, uma consulta médica aos 33 anos. Após avaliação do nutrólogo Tasso Barberino, da Bella Derme, que me submeteu a uma bateria de exames laboratoriais, foi constatada a intolerância à lactose.

Parece moda. Depois que descobri meu “problema” o assunto veio à tona e descobri também muitas outras pessoas que enfrentam a mesma situação.

O Dr. Tasso me explicou que a intolerância à lactose é o nome que se dá à incapacidade parcial ou completa de digerir o açúcar existente no leite e em seus derivados. Ela ocorre quando o organismo não produz, ou produz em quantidade insuficiente, uma enzima digestiva chamada lactase, que quebra e decompõe a lactose, esse tal açúcar do leite.

Em pessoas com essa intolerância, essa substância chega ao intestino grosso ainda inalterada. Ali se acumula e é fermentada por bactérias que fabricam ácido lático e gases, promovendo maior retenção de água, ocorrência de diarreias e cólicas.

Segundo o Dr. Dráuzio Varella, é importante estabelecer a diferença entre alergia ao leite e intolerância à lactose. O médico explica que a alergia é uma reação imunológica adversa às proteínas do leite, que se manifesta após a ingestão de uma porção, por menor que seja, de leite ou derivados. A mais comum é a alergia ao leite de vaca, que pode provocar alterações no intestino, na pele e no sistema respiratório (tosse e bronquite, por exemplo).

Já a intolerância à lactose é um distúrbio digestivo associado à baixa ou nenhuma produção de lactase pelo intestino delgado. Os sintomas variam de acordo com a maior ou menor quantidade de leite e derivados ingeridos.

Pesquisas mostram que 70% dos brasileiros apresentam algum grau de intolerância à lactose, que pode ser leve, moderado ou grave, segundo o tipo de deficiência apresentada.

No meu caso, eu sentia muitas dores musculares ao praticar atividades físicas. Tive muito desconforto intestinal com quadros de diarreia. E meu estômago, sem cerimônias, rugia alto sempre que eu ingeria leite. Outro sinal evidente eram as manchas brancas em áreas avermelhadas espalhadas pelo corpo.

Com a suspensão da ingestão dos derivados do leite, consegui reverter todos esses sintomas e, de quebra, consegui perder peso. Tudo graças à mudança de hábitos alimentares e a adequação de uma rotina de atividade física.

Infográfico de http://www.istoe.com.br/

Infográfico de http://www.istoe.com.br/

A intolerância à lactose não é uma doença. É uma carência do organismo que pode ser controlada com dieta e medicamentos. No início, a proposta é suspender a ingestão de leite e derivados da dieta a fim de promover o alívio imediato dos sintomas. Depois, esses alimentos devem ser reintroduzidos aos poucos até identificar a quantidade máxima que o organismo suporta sem manifestar sintomas adversos. Essa conduta terapêutica tem como objetivo manter a oferta de cálcio na alimentação, nutriente que, junto com a vitamina D, é indispensável para a formação de massa óssea saudável. Suplementos com lactase e leites modificados com baixo teor de lactose são úteis para manter o aporte de cálcio, quando a quantidade de leite ingerido for insuficiente.

Hoje, temos acesso a uma grande variedade de produtos livre de lactose nos mercados. Eu mesmo já encontrei leite condensado, queijo mussarela, leite longa vida, entre outros produtos. Porém, outra diferença bem evidente dos “lacfrees” é o preço, que costuma ser bem mais salgado que os produtos com lactose. Em tempos de crise, assusta. Mas a saúde do corpo vale mais que a do bolso!

Para facilitar as coisas, costumo fazer o seguinte: Evito ao máximo o consumo de derivados de leite. Em minha dieta, aumentei os alimentos verdes (que também são fonte de cálcio). Mantenho a ingestão de ômega 3 em capsulas (duas por dia) e faço a ingestão de uma gota de vitamina D líquida. Minha dieta é rica em proteína e fibras e tento sempre introduzir frutas no meu dia a dia. Para manter o metabolismo em alta, alimentação regular de três em três horas e ingestão de muito liquido.

Quanto à minha paixão pela magia da culinária, ainda preparo os suculentos pratos com queijos e derivados de leite, mas, agora, me policio para não os provar. Melhor para meus familiares e amigos, já que o meu prato sempre sobra.

Nesta balança entre o prazer de comer e a satisfação de ter a saúde em ordem, o resultado de não ingerir os alimentos que antes me faziam sentir mal traz muito mais benefícios à minha saúde que a satisfação momentânea do paladar. Mantenho o foco neste pensamento por saber que é através da boa alimentação que o meu corpo irá se manter saudável.

 

Leandro Novaes é publicitário e desenvolvedor do Portal Multivista.

 

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